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Caravaggio

O artista passou anos buscando a perfeição e a norma. O espaço real onde a luz põe em evidência as formas das coisas, onde a matéria é opaca e projeta sombra. Foi sua intenç​ão aceitar a diferença entre o mundo real e normativo (o pintado) e tratar de solucioná-lo. Considerava a tela como um espaço limitado. Era seletivo e consciente no uso artificial da luz. O pintor optou pelo contraste entre as formas e os fundos, de modo que, mais do que ausência de luz, exista a escuridão como ponto de partida. Sabe-se que Caravaggio (1571-1610) não fazia estudos prévios de suas obras. É como se a escuridão fosse um critério já estabelecido em sua mente. Conduzia para ambientes escuros e desprovidos de objetos temas que requeriam apresentação em um ambiente natural. Assim, tudo em suas obras induz a realidade terrena.

A luz mostra a cor e o aspecto real (passível de identifição) das coisas. Não camufla, nem oculta a realidade observada. Esse estudo de composição explora então o contraste das sombras profundas das pinturas de Caravaggio em uma perspectiva gemométrica. Sobre o desejo de reinterpretá-lo na relação conceitual e pragmática vista em seu trabalho.

2021

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